Trilha de Sítio dos Pintos até o Banho do Negão em Aldeia
A festa da independência do Brasil no dia sete de setembro, é sempre associada à abertura do verão no país. Nos últimos anos porém, as comemorações vêem sido atrapalhadas pelas chuvas residuais de inverno. Paradoxalmente ou não, esse foi o provável motivo das manifestações na lista de discussão de nosso grupo de trilhas, o Venture Bikers, quando o nosso guia, Fernando Dornelas, marcou a trilha de final de semana e já estávamos sem chuva a quase sete dias.
Foi a trilha ser marcada para o sábado que na sexta já começaram as chuvas, gerando um monte de e-mails comentando sobre o magnetismo pluviométrico de nosso amigo, cujos dotes aquáticos já são conhecidos e frequentemente comentados neste blog. Dotes estes que nos levou inclusive a instalarmos uma comissão interna no grupo, para estudarmos através de sua árvore genealógica o grau de parentesco com o Aquaman, ou quem sabe, com algum ascendente astrológico no signo de peixes ou aquário.
Mas desta vez, após quase seis meses, acordamos no sábado e não havia sinais de chuva. Chegamos ao ponto de encontro no Restaurante Talude às 7hrs, e já estavam todos se preparando. Assim, junto com Rebeca, completei o grupo de 16 pedaleiros que iriam enfrentar as diversas subidas da região do distrito de Aldeia.
Partimos às 7hrs 25min com o objetivo de chegamos a um pesque-pague próximo a fonte de água mineral Santa Joana, conhecido pelos grupos de trilha como o Banho do Negão.
A região de Aldeia é belíssima, apesar de bastante habitada devido a proximidade de Recife, tem uma mata atlântica presente e locais ainda pouco visitados, trazendo aos aventureiros que cortam as suas trilhas, belas imagens de locais fantásticos e muito agradáveis.
As diversas estradas que levam a região são frequentemente cobertas por árvores e rodeadas de verde, comprovando ao nosso grupo toda sua beleza. Seria uma trilha ideal para iniciantes pelas facilidades de acesso e pela farta natureza presente, se não fossem as subidas.
Foram subidas diversas. O perfil do GPS mostrou elevações que variavam até cem metros de nosso ponto de partida ao ponto mais alto, exigindo dos aventureiros muito esforço para subir no pedal e até mesmo para subir empurrando as suas bikes.
Mas como nas trilhas o céu não é o limite, temos que descer. E ai sim, nas descidas todos os esforços das subidas eram esquecidos rapidamente. Tiveram algumas em que "soltamos" tudo, o meu ciclocomputador registrou 46 km/h numa descida fantástica. Adrenalina pura!
E assim foi, subindo e descendo, procurando caminhos, indo e voltando, que chegamos ao Banho do Negão às 11hrs e 10min. Um local muito agradável, que confesso, pensei ser apenas uma espécie de açude, cachoeira ou coisa parecida. Mas quando vi, fiquei surpreendido. Um ponto bem estruturado, com locais para refeição e confraternização de famílias.
Passamos pouco mais de uma hora apreciando o local e recompondo as energias para a volta, que conforme acordado, deveria ser pelo caminho mais curto, pois o calor e as subidas pareciam já ter consumido bastante a energia do grupo.
E pondo em prática o desejo da turma, o nosso guia Dornelas tratou logo de mostrar suas habilidades na geometria analítica, aquela matéria que diz que a menor distancia entre dois pontos é uma reta, e nos levou para atravessar uma cerca e subir um morro para cruzá-lo, que segundo ele, nos daria uma grande vantagem de percurso.
Para mim ficou claro que a geometria analítica não deve ser aplicada em trilhas, pois cheguei a conclusão que neste caso, o menor distância entre dois pontos é o caminho que a gente conhece. Para começar, olhem ao lado o resultado da subida.
Quando chegamos sentimos logo o tipo de caminho que havia para cortarmos, melhor, o tipo de caminho que não havia para cortarmos. Era uma pequena trilha que foi se acabando até nos levar para uma mata fechada, nos fazendo sentir literalmente na pele toda situação. Eram urtigas e tiriricas que não acabavam mais. Fiquei com pena de quem não estava com calças e camisas compridas.![]()
Finalmente encontramos a saída descendo o morro. E após muitos aranhões e queimaduras, brincadeiras e risadas, voltamos novamente para a estrada de barro, que nos levaria a conhecida e última subida, a ladeira do sabão, dando acesso a um estradão para levar-nos a BR 101 e final ao Restaurante Talude, nosso ponto de partida.
Finalizamos nossa aventura por volta das 15hrs e 40min, com 42,3 Km percorridos, muita satisfação e milhares de belas lembranças de uma grande aventura de início de verão.
Segue abaixo mapa de nossa trilha no Google Maps e abaixo os links para a trilha no formato do Google Earth e para o álbum de fotos da aventura.
Exibir mapa ampliado
Arquivo da trilha zipado para o Google Earth. Clique
Álbum de fotos da aventura. Clique
Abraço de aventureiro.
| Lula Moura Instrutor de mergulho, praticante de trekking e mountain bike. Trabalha com suporte pós venda de produtos de linha branca e refrigeração comercial. | |
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Pois é camarada, já que não teve chuva, lama (da braba), rio ou nenhum obstáculo para passar, pelo menos uma urtiguinha para vcs saberem que o programa não pode ser normal né?? hahahaha
Abraço.
CH
08 Set 2008
pois é lula foi show, adorei sua resenha e estou louco para próxima abraços!!!
Tiago Araujo
08 Set 2008
Grande Lula! Realmente a chuva não veio, mas Dornelas conseguiu se superar através da “trilha” de urtigas!!! Mas para mim o melhor de tudo foi encontrar meu carro no final do percurso! Grande abraço!
Felipe Malagueta
08 Set 2008
Ainda bem que eu estava de camisa e calças compridas!!! A trilha foi muito show, apesar de todas as subidas, ufa que canseira!!!
Beijão
Beca
08 Set 2008
Não esqueçam do protetor solar.
Suzana
08 Set 2008
Valeu!!!
Lula,Beca,Tiago,Malagueta e o restante da galera. Tavendo como foi bom já que não choveu, so teve umas urtigas e tiriricas para variar um pouco nossas aventuras. Na próxima tem mais!!!
Dornelas.
Fernado Dornelas
09 Set 2008
Grande Lula, desse jeito não vou mais participar das trilhas, quando leio suas resenhas é como se fosse automaticamente transportado para trilha, mas faria isso se realmente não fosse um Venture e não soubesse que viver uma trilha é uma emoção sem igual e por mais que suas palavras traduzam com uma riqueza singular de detalhes o que vivemos durante um dia desses com chuva ou sem chuva, ainda assim o coração não ficará disparado depois de zerarmos ou tentar zerar uma ladeira e depois sermos recompensados com uma otima descida. Parabéns pela resenha… Em breve estarei novamente junto com vcs.
Ludimar Miranda
11 Set 2008
Lulinha….
Sou teu fã.
Pense numa tecnologia e num poder de documentação/redação.
Muito Ninja.
Abração,
Guilherme Silvestre
Guilherme Silvestre
12 Jan 2010
Lula! Será que vou aguentar a proxima?! rsss
Rapaz, concordo com Gui.Vc surpreendeu na redação e envolvimento das palavras, faz a gente viajar…
abraços e até breve.
Jana
Ja´na
12 Jan 2010
[…] Após um bom tempo afastado das bikes decidi participar de uma trilha com o querido grupo do Venture Bikers. O percurso seria nos arredores da região de Aldeia, distrito do município de Camaragibe, cidade bem próxima a Recife, partindo do ponto conhecido dos trilheiros como o banho do Negão. […]
De voltas às trilhas de bike « Blog de Lula Moura
21 Jan 2010