Dicas para Aventureiros

Neste espaço você encontrrá relatos, informaçôes e dicas para a prática de Mergulho, Trekking, Mountain Bike e Esportes de Aventuras em Geral

Aventure-se

 

Aventurar-se é estar em equilíbrio com você mesmo, é fazer parte do meio, é viver a natureza em toda sua plenitude.

Apesar de toda beleza e esplendor, o mundo subaquático pode vir a ser um lugar não muito amigável, afinal somos humanos e naturalmente despreparados para estarmos lá. Como sempre costumo dizer para os iniciantes na atividade, nos fomos feitos para viver em terra, respirando ar de forma natural, e  para aventurar-se em baixo d’ água será exigido de todos um processo de adaptação, que irá desde o domínio da utilização de outros equipamentos, até algumas padronizações de procedimentos, para que esta aventura "extra-terrena",  venha a ser coroada apenas de prazer.

Dentre os procedimentos padrões mais básicos e importantes no mergulho recreacional, o sistema de dupla, que define que um mergulhador deva estar sempre acompanhado de no mínimo outro mergulhador, é hoje sem dúvida, o mais discutido, e infelizmente não tão levado a sério como deveria ser por parte de alguns mergulhadores, principalmente aqueles que vão adquirindo experiência e desenvoltura na atividade.

Mas qual a real importância de termos alguém do nosso lado quando mergulhamos? Acho até que você já respondeu. É justamente para prover alguma ajuda caso haja uma falha no equipamento, no suprimento de ar, ou qualquer eventualidade que possa vir a ocorrer durante o mergulho.

Boa parte das horas de treinamento de certificação dos mergulhadores em piscina, são gastas neste item. Os alunos exercitam respirar na fonte de ar do outro, checam as condições e posicionamentos dos equipamentos dos companheiros e são devidamente instruídos a manterem-se sempre em uma distância aceitável para que permita-se qualquer possível procedimento de emergência.

Durante os mergulhos de águas abertas o instrutor que qualifica estes mergulhadores, cobra esta postura, e ainda simula alguns procedimentos de emergência para que o aluno mergulhador possa não apenas exercitar, mas criar e fixar a convicção de que o "dupla" é a sua segurança naquele ambiente.

Assim, por definição de padrões do mergulho recreacional, o sistema de dupla é uma regra obrigatória de dupla missão:

  • Dar assistência um ao outro, no planejamento e na execução do mergulho;
  • Estar prontamente atento para prover ajuda mútua em caso de alguma  emergência.

Mas se até agora pelo que foi visto, fica claro a importância do sistema de dupla, porque ele é discutido e até desrespeitado?

Agora a resposta não é tão simples. Na verdade são diversas razões, que passam pela qualidade da formação dos mergulhadores, dos grupos de mergulhos que eles convivem, da quantidade de atualizações em novos cursos que os mergulhadores se dispõem a praticipar, mas principalmente pela baixíssima frequência de reais emergências em que seja necessária a intervenção do "dupla" para resolve-la.

Segundo relatos de mergulhadores que notoriamente, apesar da regra, adotam perfis de mergulhos "solo" ou ficam muito distantes do dupla, a principal dificuldade é ficar monitorando a proximidade, principalmente quando há uma diferença na velocidade da natação. Outra alegação feita principalmente pelos mais experientes, é que o mergulhador novato nem sempre estaria apto a realizar procedimentos de resgate em caso de alguma emergência, assim eles alegam preferir redirecionar o tempo que seria destinado a cuidar do dupla, para cuidar deles mesmos, tornando assim, na visão deles, o mergulho mais seguro.

Na verdade o resumo de tudo se restringe a uma só palavra, relacionamento.

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O esporte mergulho é antes de tudo um meio de integração social, e como tal, o convívio pessoal como em qualquer atividade, precisa ser priorizado. Cabe então aos formadores de mergulhadores, os instrutores, trabalharem neste sentido mostrando aos novos integrantes do esporte, que este é o principal benefício da atividade. Afinal quem mergulha sabe, passamos bem mais tempo agendando, programando e se deslocando para ir e vir dos pontos de mergulhos, do que para mergulhar propriamente dito. E nada mais prazeroso do que fazer tudo isso ao lado de pessoas amigas e que queremos bem, ao ponto de compartilharmos juntos toda beleza e emoção que é mostrada de forma exclusiva para nós mergulhadores.

DSC07506 (855 x 641) Com esse pensamento, onde o prazer de mergulhar passa a ser o compartilhar, tudo que é dito de contrário sobre o sistema de dupla, mesmo tendo algum fundamento, passa a ser um segundo plano. A distância ideal passaria a ser aquela em que o companheiro poderia mostrar rapidamente aquela vida marinha fantástica que acabou de encontrar, a velocidade seria a menor possível para que ambos pudessem apreciar ao máximo o que vêem, e cada um se preocuparia em evoluir através de cursos de especialização, não apenas para aprender, mas para estarem aptos e seguros à ajudar um companheiro, seja ele quem for, em caso de necessidade.

Tudo na mais perfeita harmonia, entrando na mesma frequência desse ambiente fantástico, como visitantes dignos. Pois só assim, é que conseguimos perceber toda a beleza e bem estar que o mergulho pode nos oferecer.

Vamos pensar nisso juntos?

Um abraço DUPLO de aventureiro.

Ass_Lula Lula Moura Instrutor de mergulho,  praticante de trekking e mountain bike. Trabalha com suporte pós venda de produtos de linha branca e refrigeração comercial.   
                                                                                                                                 

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2 comentários para “ Sozinho ou em dupla ? ”

  1. Mergulho em dupla sempre!!!!
    O seu dupla passa a ser seu companheiro lá em baixo compartilhando toda emoção, toda a beleza subaquática e todo o prazer despertado pelo mergulho. Sem falar que normalmente esses duplas se tornam amigos e esta amizade continua na superfcie. Hoje posso dizer que tenho grandes amigos que também são grandes “duplas” de mergulhos, e que nos conhecemos ali naqueles planejamentos, cursos, viagens e até mesmo no barco.
    Beijos
    Beca

    Beca

  2. Mais uma vez perfeito camarada… Uma vez há muito tempo atrás eu sentí isso na pele ainda nos primeiros mergulhos quando o meu manômetro marcando 100bar (metade da garrafa) faltou ar… Se nao fosse meu dupla para “cachimbar” teria que fazer uma subida de emergência sem necessidade… Ainda bem que tive um bom instrutor básico como Zé (L.M.) Wabba…

    Também compartilho da opiniao de Beca, quanto aos amigos que tenho hoje em dia…

    Grande abraco…

    CH

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