Trilha realizada em Paulista-PE - 02/08/2008
Eram dezoito horas e trinta minutos do sábado, 2 de agosto de 2008, quando assistindo o jornal que relatava e mostrava as consequências das fortes chuvas que haviam caído nas últimas 18 horas no Recife. Recebi uma ligação do meu amigo Carlos Henrique, o CH, um dos principais estimuladores e colaboradores deste blog com seus frequentes comentários, e com suas, sempre bem-vindas, correções ortográficas e de digitações dos textos.
Ele perguntava se eu havia "sobrevivido" ao temporal durante a trilha, e relatou que o pessoal havia perguntado por mim durante o evento de comemoração da chegada do Catamarã Galileo da Aquáticos, que chegara na última sexta-feira, e que infelizmente não pude comparecer por já ter marcado uma trilha com o pessoal do Venture Bikers.
Ri muito quando ele repetiu o diálogo sobre a pergunta de onde eu estaria. Que segundo ele foi assim:
Pessoal, cadê Lula?
CH respondeu. — Onde você acha que Lula estaria num sábado de manhã com uma chuva desta.
Responderam. — Domindo, né? Num dia deste é só o que dá vontade de fazer.
CH respondeu. — Errado. Isto se tivéssemos falando de uma pessoa normal, mas se tratando de Lula, ele está desde às 7 horas da manhã, no meio de algum mato, se melando de barro, tomando banho de água de chuva, de rio e de mangue, pedalando numa bicicleta.
O pior é que segundo ele, a reação foi de incredibilidade total, ou ainda da aceitação de que meu nível de insanidade estava realmente chegando a um índice alarmante.
Se eu fosse praticar o exercício da empatia, tentando me colocar no lugar de todos ali, acredito que também tivesse a mesma postura. Afinal, existem coisas que não há como se fazer entender sem o tempero das emoções, do prazer do fazer, do uso simultâneo de todos os nossos sentidos.
É impossível convencer tentando dizer tudo que agente vê, as paisagens fantásticas que nos fazem sentir toda energia da natureza. Energia essa que nos impulsiona em cada pedalada, que nos leva a apreciar cada pequeno detalhe, onde a chuva passa a ser um refresco para o corpo suado, os obstáculos uma oportunidade de darmos as mãos aos amigos, que ali, são amigos do peito, parceiros criados pelo convívio com a natureza, que nos fazem vencer os obstáculos, quase sempre rodeados de escorregões e risadas bobas.
É viver e ver a vida ao redor, sentir a alma da terra, se movimentar pelo movimento da mata, ver a simplicidade das coisas, e esquecer. Esquecer que lá fora, é que existe um mundo perigoso, arriscado e que nos cobra muito mais sacrifícios do que subirmos no pedal morros e colinas, mas que paradoxalmente, por obra do costume, se tem como o real e correto.
É, é uma magia sim que nos enfeitiça e nos fazem pisar na lama, atravessar unidos mangues e rios, e que nos fazem parar sob chuva forte no meio do nada, para apreciar o nada. Onde só há problemas com solução e vazios sem solidão, esquecendo as pressas de nossas prioridades trocadas, que nos controlam e cobram para que estejamos lá afim de nos mantermos vivo.
É uma magia que se manifesta no simples ato de se aventurar, porém que infelizmente se desencanta quando tudo termina. Mas ela deixa resíduos que nos renova, nos deixa trazer para a nossa aventura real, um pouco de tudo isso, nos fazendo melhores e mais fortes, mas próximos de Deus.
A você meu amigo CH, você está certo em me puxar de volta, não posso ficar lá. Aos que fizeram essa trilha comigo, Rebeca, Dornelas, Fernando Livino, Marcos, Guilherme, Ludimar, Markito, Gernésio,
Sergio e Felipe obrigado! Obrigado por não me fazer pensar que sou insano, e o único a ser contagiado por essa magia, pois vi em vocês os mesmos sintomas deste feitiço durante as 6 horas em que entramos no "portal" desta aventura fantástica que fizemos juntos.
Valeu mesmo!
Mapa da trilha no Google Maps
Arquivo na trilha no formato do Google Earth
Para mais fotos da trilha clique
Abraço de aventureiro.
| Lula Moura Instrutor de mergulho, praticante de trekking e mountain bike. Trabalha com suporte pós venda de produtos de linha branca e refrigeração comercial. | |
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Lula, já pensou em escrever um livro? Já virei fã do seu blog! Realmente só quem está lá sabe o quanto é bom se melar de barro, levar chuvar e pedalar “sem rumo”! Até a próxima!
Felipe Malagueta
03 Ago 2008
Lula… Estou sem palavras para elogiar sua eloqüência, como disse Malagueta, virei seu fã, contarei com ajuda de suas palavras para provar pra algumas pessoas que o que faço não é loucura, e sim um esporte sem igual… valeu…
Ludimar Miranda
03 Ago 2008
Muito bom Lula, definiu muito bem nosso sentimento quando realizamos essas trilhas, e principalmente, mostrou para quem não faz, o quanto eles estão perdendo, o quanto eles poderiam estar melhores do que estão hoje, um grande abraço e ótima semana.
Marcos e Guiga
03 Ago 2008
More,
Desta vez você se superou… Conseguiu passar através deste texto toda emoção que sentimos ao praticarmos este tipo de esporte. Uma mistura de sensações que só estando lá para saber o que é. Uma magia que renova nossas energias e nos fazem pessoas melhores até mesmo para lidar com o dia a dia da realidade. É um momento em que você sente que tudo é possível e todos os obstáculos podem ser superados. Se para alguns isso é loucura ou insanidade, quero sempre poder ter esses momentos que para mim considero como prazer.
Parabéns pelo belíssimo texto.
Há sim, como sei que CH vai ler, ai vai um recadinho:
CH, tenho certeza que um dia ainda ei de conseguir carregar você comigo para fazer uma trilha. Tenho certeza que você vai adorar.
Beijão
Beca
Beca
03 Ago 2008
Bom, tento me explicar a todos, especialmente aos camaradas Lula e Beca…
Desde pequeno, por mais incrível que possa parecer, eu sempre gostei de natureza, de andar sem destino pelo meio das árvores e rios, como vc mesmo descreveu, sentindo toda sua energia, levar banho de chuva, ou se esconder dela debaixo de jaqueiras, tomar banho com roupa e tudo em riachos, açudes e cachoeiras, isso tudo mesmo antes de se ter do que fugir como temos hoje em dia, sem falar do stress… Quando criança ainda nos tempos tranqüilos, saía antes do amanhecer junto com os vaqueiros, para ir buscar as vacas de leite, voltava para tomar café-da-manhã, saía novamente para ir contar o gado no pasto, voltava para almoçar, depois retornava novamente para os afazeres da fazenda no meio do pasto e só voltava de tardezinha para tomar banho, jantar e ir dormir ansioso pelo outro dia… Hoje em dia procuro em esportes (tudo bem que não tenho tanta freqüência feito vc) uma válvula de escape para fugir das “doenças” da cidade grande, uma atividade que seja tão prazerosa como vc muito bem descreveu, mas também uma atividade que me faça descansar, e que na segunda eu esteja com disposição para mais uma semana de trabalho, e foi isso que eu achei no mergulho (excluindo-se as maratonas em Noronha)… Uma atividade apaixonante, que está em contato total com uma natureza exuberante onde em cada mergulho, por mais que se repita o naufrágio como o bom e velho Pirapama (mais de 150 mergulhos só nele), vc sempre acha uma coisa diferente…
Porém toda a natureza que vc descreve em seus textos, também me atrai, pois foi nela que cresci e lhe digo com toda sinceridade que também sinto falta, foi por conta disso que já parti para fazer trekking e rapel… Mas camarada, com toda sinceridade que me é peculiar, fazer os percursos que vc faz de bicicleta eu até faria, mas em cima de um cavalo, pois estaríamos em contato com toda a natureza exuberante, sentindo toda sua energia, levaria os mesmos banhos de chuvas, mas estaríamos fazendo muito menos esforço…
Mas o futuro a Deus pertence né??? Um dia vc também foi normal e “descambou” para esse lado, mas por enquanto, dessa sua insanidade eu não compartilho… hahahaha
Abraços grandes e parabéns pelos textos, que nos fazem sentir um pouco da natureza e bastante do cansaço que vc passa… hahahah
CH
04 Ago 2008
Grande Lula,
Obrigado pela paciencia e espírito colaborador de sempre.
A galera está certíssima, por isso será uma honra pra nós tê-lo como “colunista” e parceiro.
Um grande abraço!
Caio Gondim
04 Ago 2008
CH,
Confesso que estava curiosa para ler o que você ia escrever. Fiquei até surpresa com o seu relato. Tenho que concordar com você no que diz respeito ao mergulho. Ele transmite uma paz que não consigo encontrar em local algum, sendo sem dúvida, a minha maior paixão. Sem falar nos grandes amigos que o mergulho me trouxe.
Porém, um dia ainda ei de fazer um trilha com você. Nem que seja você de cavalo e eu de bike (rssssssssssssssssssssss). É claro que você vai ter que ir bem devagar e com toda paciência do mundo para me acompanhar.
Bjs
Beca
Beca
04 Ago 2008
Lula,
Não lhe conheço, mas quero lhe parabenizar por sua habilidade em conseguir retratar com tanta fidelidade o que é fazer um esporte de aventura. Não faço trilhas de bike, mas confesso que me deu vontade de sair correndo para comprar uma, e ir fazer uma trilha dessas com vocês.
Pode registrar que não só virei um dos leitores assíduos de seu blog, como também um dos divulgadores.
Adorei!
Ricardo Mapfre
05 Ago 2008
Lula,
Realmente vc se superou em descrever de forma poetica o que nós passamos na trilha este sábado. Conseguiu descrever a de uma forma gostosa o que vivenciamos juntos. Como eu sempre digo a nossa LOUCURA OU INSANIDADE que os mortais não conseguem entender e apreciar, então valeu IMORTAL!!!
Fernando Dornelas
05 Ago 2008
Lula e Beca,
Que trilha!!! Quase um mergulho, afinal quanta água! E pelo o que pude observar, você tá virado no pedal clip.Saudades!!
Bjs.
Karina e Mitchelson
05 Ago 2008
Beca, é só me avisar no dia que vc quiser… Lá em Sairé tem muitas trilhas para todos nós conhecermos… Mas desde que seja naquela condição… hahahahah
Beijos…
CH
05 Ago 2008
Lula
Ter ficado de fora desta última aventura foi péssimo para mim, mas na sexta mesmo viajei e não pude comparecer, porém, suas bem traçadas linhas nos remete ao ambiente das trilhas e esta foi especial mesmo.
As viagens (neste momento estou em Aracaju/SE) me distanciam das pedaladas/trilhas mas fazer parte deste manicômio é muito bom, montar numa magrela, se molhar na chuva, de lama e atravessar mangues ou riachos é relaxar e se aventurar, e só e somente só participando é que se desfruta do prazer das trilhas, da natureza e o valor das amizades angariadas.
Ser descrito como ciclista-louco neste mundo estressado; maluco pelas trilhas realizadas no meio de paraísos ecológicos é um gande ELOGIO!!!
Parabéns por mais este belo capítulo!!!
Salgado
06 Ago 2008